domingo, 24 de janeiro de 2010

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

...SALTO NO ABISMO ...


Já me dei ao poder que rege meu destino
E não me prendo a nada, para não ter nada a defender.
Não tenho pensamentos, por isso verei.
Não receio nada, por isso me lembrarei de mim mesmo.
Desprendido e a vontade, passarei como um jato pela águia para me tornar livre.

Carlos Castaneda - O Presente da Águia.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

UKEMI


UKEMI

Texto traduzido do livro The Principles of Aikido, de Mitsugi Saotome

Para se praticar Aikido, a presença de um parceiro é essencial. Uns poucos exercícios podem ser feitos isoladamente para melhorar sua força e suas habilidades técnicas, mas o caminho para o bom treino reside na interação entre uke e nage. Algumas pessoas erroneamente simplificam as definições de uke e nage como "aquele que ataca" e "aquele que defende". Tais simplificações não demostram a verdadeira natureza da importância dos papéis de nage e uke. De um modo mais correto, nage significa "aquele que projeta" e uke, "aquele que recebe a força". Se você pensar em termos de quem ataca e de quem se defende, provavelmente você dará mais importância ao papel do nage, que é atacado e executa a técnica, e colocará o papel do uke como sendo apenas o de fornecer um corpo para o nage executá-la. Nada poderia ser mais longe da verdade.
Ukemi é a arte de ser uke, e a qualidade do treino de nage depende em como uke aprendeu sua arte. Ukemi é responsável pela criação de condições que levam uma dada técnica a ser praticada, permitindo a uke responder corretamente aos movimentos de nage, executando qualquer queda que seja necessária para finalizar tal técnica. Resumindo, uke é responsável pela criação de condições que permitam nage aprender. Se uke não sabe os efeitos de determinada técnica, ou não tem nenhuma flexibilidade, ou não responde aos movimentos de nage, ou ainda, é temeroso ou pouco acostumado a cair, então nage não terá condições de estudar as técnicas eficazmente.
Ao praticar qualquer movimento, os parceiros devem alternar os papéis de nage e uke. Quando estiver no papel de uke, não julgue esta hora como sendo apenas um intervalo entre os momentos de ser nage, mas como uma oportunidade de igual ou maior importância de aprender do que aquela de quando se está na outra posição. De fato, aqueles que se esmeram na prática de ukemi também o farão, eventualmente, na prática das técnicas, pois eles serão capazes de absorver conhecimentos através de seus corpos, de sentir como age uma técnica corretamente executada, assim como absorvem conhecimentos pelas suas mentes. Desenvolver bom ukemi é a maneira mais rápida de adquirir habilidade no Aikido.
Muitos elementos compõe o bom ukemi. O primeiro é musubi. Boa comunicação com o nage é indispensável, tanto física quanto intuitiva. Se o uke é insensível aos movimentos ou intenções do parceiro, vai obstruir a prática deste último e correr riscos de se machucar. Um bom uke não antecipa os movimentos do parceiro mas se aperfeiçoa na percepção até o ponto em que as reações são instintivas e intuitivas, em lugar de depender exclusivamente da manipulação física.
Aprender ukemi é aprender a proteger o seu corpo de lesões; precisa-se estar sempre alerta e flexível. Deve-se ser capaz de executar a queda de qualquer ângulo, a qualquer momento, mesmo inesperadamente. Tais habilidades conduzem ao aprendizado de técnicas mais avançadas. Também se deve treinar ukemi enquanto se segura jo e bokuto. O treinamento com armas no Aikido inclui algumas técnicas de desarme. Muitas delas envolvem projeções e o uke precisa estar preparado para isso. Aprender a se proteger através do ukemi é também responsabilidade de todos. Enquanto o nage deve ter consciência das limitações do uke e evitar excessos desnecessários, ele tem o direito de esperar do uke um nível de habilidade em seu ukemi compatível com o nível de graduação. Se a sua capacidade em executar ukemi é inferior a sua habilidade com as técnicas a medida que evolui, então o avanço técnico do seu parceiro será prejudicado. Por vezes, coloca-se muita responsabilidade com relação à segurança pessoal nas mãos do parceiro, especialmente quando se começa a treinar técnicas mais avançadas, mas o próprio treino vai ser prejudicado, pois nunca será capaz de executar as técnicas mais difíceis com toda intensidade.
Executar ukemi não significa que se faz papel de derrotado. É, na verdade, um estudo de comunicação, percepção e auto-proteção. Refletindo mais profundamente, é um meio de adquirir controle sobre si mesmo e sobre as circunstâncias. Esse aspecto do ukemi se torna mais aparente no treinamento mais avançado, quando as técnicas vão além de se ter apenas um uke atacando, ocorrendo múltiplos ataques de várias direções e várias inversões de movimentos. A sensibilidade e a atenção concentrada no nage, que permitem alguém ser um bom uke, também dão a habilidade de ver as falhas na técnica do nage e reconhecer os pontos onde este está vulnerável. Se você é um bom uke você pode tirar proveito disso e fazer uma rápida recuperação ou reverter o movimento. Se ukemi não é bem treinado, então não se terá equilíbrio suficiente para fazer nenhum dos dois.
Aprender ukemi, é claro, leva tempo e muito treino. Ao principiante será mostrado o conceito de ukemi lentamente. Depois de conhecer os movimentos de irimi e tenkan, começará a praticar as quedas e rolamentos. Isso deve ocorrer antes de começar a treinar as técnicas básicas. Quando começar a praticá-las, isso será feito através do kata. Kata dá ao estudante um modelo para treinar e explorar os efeitos dos diferentes movimentos, aperfeiçoando sua execução. Deve-se chegar ao domínio completo do movimento antes de se tentar um uso mais criativo dos movimentos de Aikido, além de ser cada vez mais elástico na execução do ukemi. O jiuwaza, quando se é esperado que as reações sejam espontâneas aos diferentes movimentos e projeções, deve ser reservado aos praticantes mais experientes. À medida que o treino evolui, sempre lembre que o caminho para obter a habilidade em executar movimentos mais espontâneos e criativos está no aperfeiçoamento do ukemi.
Durante minha época como uchi deshi, eu fui muito advertido por não fazer um bom ukemi. Os ensinamentos de O Sensei a respeito desse assunto, assim como eu os lembro, podem ser resumidos assim:
1. Não tente antecipar o que está por vir. Uma mente tendenciosa vai obscurecer as resposta intuitivas do corpo e irá refreá-lo. Isso forçará você a fazer um ukemi pouco espontâneo, o que, por sua vez, irá refletir quando treinar as técnicas, atrasando o seu aperfeiçoamento.
2. Observe os movimentos do seu parceiro e tente sentir sua intenção. Isso é parte do treino de ukemi.
3. Não se esqueça da relevância do treino de ukemi para a vida diária. Todas as pessoas proeminentes que alcançaram alguma coisa de valor na vida, absorveram os princípios do ukemi. A jornada da vida é marcada por muitas dificuldades. Sucesso é alcançado por aqueles que venceram suas dificuldades com flexibilidade e a mente aberta de ukemi. Aqueles que executam o ukemi de uma maneira pouco natural durante o treino, não verá resultados positivos da prática na sua vida diária.
4. É sábio evitar acidentes e lutar pela sua bem-aventurança, tanto no dojo quanto fora dele.
5. Uma mente aberta e flexível, assim como o corpo, modéstia, sinceridade - esses são os elementos necessários para a arte do ukemi. Sem eles, o treino de ukemi não progredirá. Sem ukemi, o treino das técnicas nunca irá fluir.
Observe as palavras de O Sensei com relação à importância do ukemi na vida diária. Ukemi desenvolve a habilidade de sentir o que está por vir, de analisar as circunstâncias e de responder às mesmas rapidamente. Assim como aqueles que antecipam o ukemi durante o treino e falham ao tentar adivinhar a direção da técnica, são aqueles que pensam demasiadamente e falham em perceber o que está ocorrendo em torno de si próprios. Eles não conseguem ser flexíveis às dificuldades na vida porque não podem vê-las até que seja tarde demais. Treinando-se bem ukemi, ter-se-á uma visão verdadeira do fato, baseada na observação e intuição, e não em algum pensamento arbitrário e pré-concebido. Bom ukemi representa a mesma sabedoria do pescador que, através de sua experiência, sente como vai ser o tempo.
O treino de ukemi tem grande mérito físico: ele fortalece o corpo e aumenta sua flexibilidade. Além disso, quanto mais você se acostumar ao ukemi, mais prazeroso fica o treinamento. Eu me lembro da alegria de O Sensei durante os treinos, seu ânimo e seu bom humor. Para se ter prazer no treino não precisa perder a concentração; pode-se relaxar e, ainda sim, treinar seriamente. Dificilmente se pode negar os benefícios do ukemi no treinamento e na sua vida diários.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

PILARES DO AIKIDO


1 – Shiho – Universalidade

O Significado literal de “shiho” é “quatro direções”. Estas quatro direções simbolizam as quatro gratidões:

Gratidão para como Universo e a Vida:
Gratidão para com os nossos ancestrais e predecessores
Gratidão para com o próximo;
Gratidão para com as plantas e animais que se sacrificam por nós;
Significa olhar para o mundo sob todos os seus aspectos, considerar as coisas por todos os ângulos, ser capaz de se mover em todos os sentidos e lidar com ataques de todas as direções.

2 – Irimi – “Avançar e unir-se”

Quando confrontado com uma agressão no Aikido, não se recua nem se desvia a agressão mas entra-se diretamente no centro do ataque.Geralmente a melhor forma de lidar com qualquer oposição é ir diretamente à sua fonte e “harmonizar-se com ela” por forma a tornar qualquer agressão impossível.

3 – Kaiten – “Abrir e Girar”

Algumas vezes é melhor evitar um ataque abrindo-se para o lado e em seguida redirecionar o ataque em direção ao agressor. Abrir e girar significa igualmente estar aberto a todas as possibilidades.

4 – Kokyu – “poder da respiração e da boa coordenação”

A respiração é vida.Tudo no céu e na terra respira. A respiração é o fio que une as criaturas entre si. Quando as inúmeras variações da respiração universal podem ser sentidas nascem as técnicas de Aikido.Outro significado de Kokyu é “boa coordenação”. Implica o entendimento dos ritmos da vida, estar em sintonia com o ambiente e adaptar-se às circunstâncias.

5 – Osae – “controle de si mesmo e controle da situação”

As técnicas de Aikido incluem várias imobilizações e chaves usadas para controlar um ataque.A implicação por detrás de tais chaves e imobilizações é “manter o assunto sob controle” ou “controlar as coisas antes que comecem a surgir” ou seja, evitar que algo de incontrolável aconteça. O’ Sensei dizia: “Detenhas as coisas entes que elas surjam, cultive a paz e a ordem para reprimir o caos”.

6 – Ushiro Waza – “lidando com o desconhecido”

No Aikido treinamos ser atacados por trás com a finalidade de cultivarmos um sexto sentido que perceba a agressão antes que ela ocorra. No nosso dia a dia isso traduz-se na idéia de “esperar o inesperado”, especialmente vindo daquelas almas mal-intencionadas que tentam “apunhalar-nos” nas costas ou atacar-nos quando não estamos atentos.

7 – Tenchi – “Permanecer firmemente entre o céu e a terra”

O’ Sensei dizia:“Tente sempre manter-se em comunhão com o céu e com a terra, assim o Universo surgirá na sua luz verdadeira. Se conseguir perceber a verdadeira forma do céu (vazio) e da terra (matéria) enquanto ser humano (céu e terra = vazio e matéria) será iluminado na sua própria forma.

8 – Ukemi – “sete vezes para baixo, oito vezes para cima”

Saber cair corretamente nas projeções bruscas do Aikido é uma das primeiras coisas que são ensinadas e que devem ser aprendidas. No Aikido aprende-se a cair bem e em segurança e a levantar-se rapidamente. As mudanças constantes da vida tentarão derrubar-nos com ataques fulminantes, mas precisamos saber voltar logo ao normal. Ukemi significa igualmente “corrigir um erro”.“ A falha é a chave para o sucesso, cada erro ensina-nos uma lição preciosa” Sete vezes para baixo e oito vezes para cima.Ukemi é também uma demonstração de humildade e uma prostração: não há orgulho em se ter sido projetado, no entanto existe a vontade de se voltar a tentar ao levantar-se novamente.

9 – Aiki Ken e Aiki Jo – “O Sabre e o bastão. As armas da resolução e da intuição”

No Aikido estão incorporados o estudo do sabre (kenjutsu) e do bastão (jojutsu). Relembrando-nos que o Aikido é um Budo e que as suas técnicas serviram os guerreiros (bushi) do Japão feudal nos campos de batalha e que por isso se devem continuar a estudar as formas que estão na gênese de uma tão eficiente arte marcial.

10 – Reigi - “Um homem educado é um homem atento”.

No Aikido estão incorporados princípios extraordinários de respeito e consideração para com os mestres e parceiros. Estamos a falar numa arte marcial que decide sobre a vida e a morte num só golpe. O respeito é o garante de um treino marcial e cuidado. Por isso no Aikido respeitam-se os princípios tradicionais da etiqueta japonesa, o que aumenta a marcialidade. Conservam-se, entre outras coisas, o andar de joelhos (shikko), a posição tradicional de sentar (seiza), o uso de hakama (calças largas pretas usadas como símbolo da classe guerreira e dominante do Japão feudal – os samurai), a meditação (mokuso) e a limpeza quer do dojo (osoji), quer de si próprio (chinkon). Sem a etiqueta tradicional o Aikido perde o seu valor como veículo para se entender a sociedade e servi-la.No Aikido não há competição. Isto quer dizer apenas que no Aikido as técnicas não foram transformadas para poderem ser usadas dentro de um ringue, ou de um tatame olímpico. As técnicas de Aikido visam subjugar um ou vários adversários armados ou desarmados e por isso são treinadas exatamente com se fossem para ser utilizadas no campo de batalha.

sábado, 3 de outubro de 2009

A PRÀTICA DO SEIZA



SEIZA é um método de sentar, o qual, em alguns lugares, é usado como psicoterapia. SEIZA é um modo de sentar sobre os joelhos que é usado extensivamente na arte marcial do IAIDO, bem como no AIKIDO. A prática de SEIZA pode envolver estas artes, ou pode ser feita simplesmente como um "exercício sentado".

"Sentar calmamente" usando a postura de SEIZA é uma maneira de superar os temores generalizados da vida e o medo subjacente da morte. É um excelente meio de regular as funções do corpo. Pode trazer a mente mais perto do mundo "como ele é", numa atitude mais apropriada que seu foco habitual em "como ele deveria ser". Em outras palavras, SEIZA é um método de passar através das ilusões da vida diária. Quando sentado, os círculos sem fim de pensamento, tão danosos à saúde mental, são rompidos e o claro frescor do simples viver no mundo é por fim liberado para aflorar.

Sente-se em SEIZA dobrando suas pernas e apoiando seu joelho esquerdo no chão. Coloque o joelho direito a uma distância de cerca de dois punhos do esquerdo. Em seguida estique os dedos do pé e posicione-os sobre o chão de modo que os dedões apenas toquem um no outro. Abaixe as nádegas de modo que elas repousem sobre ou entre os calcanhares.

Deixe a coluna ereta e a parte inferior das costas para frente de modo que se forme uma curva em S na espinha dorsal. Arredondar a parte inferior das costas ou tentar inclinar-se causará fadiga muscular. O peso do corpo deve ser centrado num ponto ente o topo dos pés e os joelhos, mais na direção dos pés.

A cabeça deve repousar solta no topo da espinha. As orelhas devem estar em linha com os ombros e o nariz em linha com o umbigo. Note que pondo o nariz nessa posição você move suas costas levemente para fora da posição vertical. No IAIDO isto é importante porque encoraja a pressão para a fronte. Empurre o queixo levemente e estique a base do pescoço. Isto resulta como se alguém o puxasse pelo cabelo para alongar sua espinha. Para encontrar essa linha central você pode balançar em círculos sobre as costas, parando suavemente até atingir uma posição de equilíbrio. Este centro é importante para prevenir cãimbras ou fadiga enquanto está sentado

APLICANDO O PRINCÌPIO DA ESPADA NO AIKIDO E NA VIDA


O Caminho do aiki e o Caminho da espada estão intimamente conectados nos seus princípios, movimentos e métodos básicos. Superficialmente, os dois parecem ser radicalmente diferentes, porque o aikidô é uma arte marcial de mãos vazias, enquanto que a arte de manejar a espada faz uso de uma arma. Mas uma vez penetrada a superfície, muitos pontos em comum serão notados. (A referência aqui é ao kenjutsu, a arte de manejar a espada combativamente, mais do que ao kendô, que é um esporte moderno. A similaridade com o aikidô se encontra não tanto no kendô, mas no seu predecessor.) Uma suposição comum é a de que o aikidô está mais intimamente relacionado ao judô que a arte de manejar a espada. Isso é compreensível porque ambas são formas de arte marcial de mãos vazias, e se uma pessoa conhecer mesmo que só um pouco a respeito da experiência do Fundador, ela ficará consciente do papel de formação desempenhado pelo jiu-jitsu no desenvolvimento do aikidô. O Fundador treinou o jiu-jitsu na escola Dai-to, incorporou alguns de seus métodos ao aikidô e algumas técnicas tais como preensão de pulso, golpes, arremessos e imobilizações foram modelados em conformidade com o jiu-jitsu clássico ou com a sua forma moderna, o judô.

Mas as similaridades são obscurecidas pelas diferenças. No aikidô, por exemplo, não há equivalentes de agarrar a manga ou colarinho do oponente como se vê no judô. Por não haver luta corpo-a-corpo direta nem competição, o aikidô não tem técnicas ofensivas. Também não tem o mesmo tipo de técnicas de chão, por meio das quais o oponente é imobilizado através de chaves ou preensão de pescoço.

Dentre as muitas similaridades entre o aikidô e a arte de manejar a espada estão algumas fundamentais: a postura em pé, a distância entre duas pessoas, a colocação dos olhos, o movimento dos pés, assim como as técnicas derivadas, que são surpreendentemente paralelas, se não idênticas. enquanto a roupa do judô é usada de forma folgada devido à luta corpo-a-corpo, tanto no aikidô quanto na arte de manejar a espada, a roupa tradicional é o hakama, a longa roupa formal dos japoneses que se assemelha a uma saia, apropriada ao movimento livre do duas pessoas que se deparam frente a frente. (Kendo também usa o hakama, mas junto com uma variedade de equipamentos protetores. No aikidô os novatos normalmente não usam hakama.) Por outro lado, uma comparação detalhada entre o aikidô e a arte da espada revelará pequenas diferenças, Um exemplo é a posição de distanciamento (ma-ai). na arte da espada, o espaço correto entre duas pessoas é estabelecido quando as extremidades das duas espadas frente a frente se sobrepõem levemente, de forma que um passo adiante significa um golpe letal contra o oponente. No aikidô, quando duas pessoas fazem frente uma à outra na posição de hanmi, as mãos, equivalentes ao gume da espada, não se tocam, e o espaço é ajustado para a eficiência máxima na execução da técnica de entrada (irimi). Além disso, ao usar a espada, independentemente de quão alta ou baixa é segurada, o princípio básico para determinar a distância é o mesmo. No aikidô ela irá variar, dependendo da técnica: seja se ambos os parceiros estão sentados, um parceiro em pé e outro sentado, ou ambos em pé; um contra muitos; ou um contra alguém armado.

A esse respeito, não podemos estabelecer uma equivalência precisa entre o aikidô e a arte de manejar a espada, mas, como citamos anteriormente, os princípios, movimentos e métodos básicos de ambos têm muito em comum. As similaridades não surgiram por acaso, já que o Fundador Ueshiba claramente pretendia, desde o início, utilizar as vantagens encontradas na arte de manejar a espada, e dedicou tempo e energia consideráveis para incorporá-las ao aikidô.

Desde muito jovem, o Fundador teve um forte interesse pela arte da espada. De fato, entes de ocupar-se completamente com o jiu-jitsu da escola Daito, dedicou-se à mestria da arte de manejar a espada. Mesmo depois de estabelecer o aikidô como uma forma independente de budô, ele adorava praticar com a espada e o bokuto (espada de madeira). Houve uma época em que uma seção de kendô foi estabelecida no Dojô Kobukan, e, entre 1936 e 1940, muitos membros dirigentes da Yushinkan, inclusive Kiyoshi Nakakura, Jun’ichi Haga, Gorozo Nakajima e outros, freqüentaram nosso dojô. Na minha juventude, o Fundador convenceu-me a aprender a arte da espada no estilo Kashima Shinto, o que mostra, também, sua profunda ligação e o alto respeito por aquela arte. Talvez, ao buscar ativamente incorporar certos princípios da arte de manejar a espada ao aikidô, ele estivesse tentando desenvolver uma base teórica para o aikidô que estava, então, ainda na sua infância.

O aikidô não usa arma e é fundamentalmente uma arte marcial de mãos vazias, mas a mão, por exemplo, não é somente uma extensão do corpo. Chamada de mão-espada (te-gatana), torna-se uma arma de golpe, transformando-se numa espada. E quando a mão é usada como uma espada, o movimento naturalmente segue aquele de um espadachim. Esse é um exemplo de um movimento do aikidô como sendo uma manifestação concreta de um princípio da arte de manejar a espada.

Um exemplo clássico dessa manifestação é o shiho-nage. O princípio dessa técnica é modelada à maneira básica de manusear a espada. Estando com o pé esquerdo ou direito como eixo, a espada é empunhada de forma a cortar em quatro, oito ou dezesseis direções. Usando as técnicas básicas do aikidô como entrada e rotação esférica, a mão-espada é usada para arremessar as pessoas em quatro, oito ou dezesseis direções.

Essa técnica tem infinitas variações, de acordo com a situação e a necessidade. Quando o ataque é um golpe vindo do lado direito ou esquerdo do oponente, a resposta é um shiho-nage para contra golpeá-lo. Se o ataque é segurar ambos os pulsos por trás, executa-se o shiho-nage dessa posição. E se um atacante prende os ombros de uma pessoa sentada, esta se defende com shiho-nage. Seja qual for a situação, shiho-nage segue essencialmente o mesmo padrão. No primeiro estágio, a estabilidade do oponente é abalada pela entrada e rotação esférica. No segundo estágio, o oponente é puxado para dentro do círculo de movimento da própria pessoa. No estágio final, a mão direita ou esquerda (algumas vezes ambas as mãos) é usada como a mão-espada - erguida acima da cabeça e rapidamente trazida para baixo para arremessar o oponente.

Cada movimento do shiho-nage é ditado pela consciência de empregar a mão como uma espada. Isso também significa que a mão do oponente é considerada como o gume da espada. Embora nenhuma das partes esteja armada, a ação é tão intensa quanto seria se lâminas de fato estivessem sendo usadas. Naturalmente, shiho-nage envolve a concentração do ki para seu poder e eficiência, e a fluência do ki, oriunda do poder de respirar, é expressa integralmente através da mão - o gume - que faz o arremesso preciso e poderoso. Se o ki não estiver fluindo, o oponente não será facilmente arremesso.

Shiho-nage é considerado o alfa e o ômega das técnicas do aikidô. Isso se deve ao fato de que shiho-nage mais claramente concretiza o princípio da arte de manejar a espada. Esse é o exemplo eminente que revela a relação íntima entre o aikidô e a arte de manejar a espada.

Embora o aikidô seja basicamente uma arte desarmada, e o treinamento consista tipicamente de duas pessoas posicionadas frente a frente com as mão abertas, as aplicações das técnicas usando espada, faca, varas ou bastão também são encontradas. Nesse caso verifica-se o reverso de usar a mão como se fosse uma espada; as armas são usados e manipuladas não como se fosse uma espada; as armas são usadas e manipuladas não como objetos, mas como extensões do corpo.

O que foi citado anteriormente devia ser suficiente para mostrar a íntima relação entre o aikidô e a arte da manejar a espada. Mas isso não é o bastante para entender porque o Fundador incorporou a arte da espada ao desenvolvimento do aikidô. Além disso, deveríamos reconhecer inteiramente a genialidade do Fundador ao formular o aikidô, baseado no jiu-jitsu clássico e nos princípios da arte de manejar a espada, que eram ostensivamente diferentes na sua natureza. Sua originalidade não reside meramente em combinar os dois, mas em fundar uma nova forma de budô que trouxe à luz o melhor em ambos.

O desejo ardente do Fundador em estabelecer o aikidô foi manter vivo no mundo moderno o mais valioso legado do budô. Afim de realizar seu objetivo, ele transcendeu as diferenças da forma externa para captar a essência de cada arte marcial e trazê-la à vida em uma nova forma. A força motivadora foi sua intensa busca espiritual para descobrir uma filosofia vivificante o afirmadora da vida do budô. O resultado foi a transformação do coração do budô no coração do aikidô, o caminho da harmonia e do amor.

Do livro O espirito do Aikido by Kishomaru Ueshiba.

sábado, 19 de setembro de 2009

OS SETE NÌVEIS DA HUMANIDADE


Há alguns anos, um buscador aproximou-se de um Mestre da Arte Real e perguntou-lhe:

- Mestre, gostaria muito de saber por que razão os seres humanos guerreiam-se e por que não conseguem entender-se, por mais que apregoem estar buscando a Paz e o entendimento, por mais que apregoem o Amor e por mais que afirmem abominar o Ódio.

- Essa é uma pergunta muito séria. Gerações e gerações a têm feito e não conseguiram uma resposta satisfatória, por não se darem conta de que tudo é uma questão de nível evolutivo.

A grande maioria da Humanidade do Planeta Terra está vivendo atualmente no nível 1.
Muitos outros, no nível 2 e alguns outros no nível 3. Essa é a grande maioria.
Alguns poucos já conseguiram atingir o nível 4, pouquíssimos o nível 5, raríssimos o nível 6 e somente de mil em mil anos aparece algum que atingiu o nível 7.

- Mas, Mestre, que níveis são esses?

- Não adiantaria nada explicá-los, pois além de não entender, também, logo em seguida, você os esqueceria e esqueceria também a explicação.

Assim, prefiro levá-lo numa viagem mental, para realizar uma série de experimentos e aí, então, tenho certeza, você vivenciará e saberá exatamente o que são esses níveis, cada um deles, nos seus mínimos detalhes.

Colocou, então, as pontas de dois dedos na testa do consulente e, imediatamente, ambos estavam em um outro local, em outra dimensão do Espaço e do Tempo.

O local era uma espécie de bosque, e um homem se aproximava deles. Ao chegar mais perto, disse-lhe o Mestre:

- Dê-lhe um tapa no rosto.

- Mas por quê? Ele não me fez nada...

- Faz parte do experimento. Dê-lhe um tapa, não muito forte, mas dê-lhe um tapa!

E o homem aproximou-se mais do Mestre e do consulente...
Este, então, chegou até o homem, pediu-lhe que parasse e, sem nenhum aviso, deu-lhe um tapa que estalou.

Imediatamente, como se fosse feito de mola, o desconhecido revidou com uma saraivada de socos e o consulente foi ao chão, por causa do inesperado do ataque.

Instantaneamente, como num passe de mágica, o Mestre e o consulente já estavam em outro lugar, muito semelhante ao primeiro e outro homem se aproximava. O Mestre, então comentou:

- Agora, você já sabe como reage um homem do nível 1. Não pensa. Age mecanicamente. Revida sem pensar. Aprendeu a agir dessa maneira e esse aprendizado é tudo para ele, é o que norteia sua vida, é sua 'muleta'.

Agora, você testará da mesma maneira, o nosso companheiro que vem aí, do nível 2.

Quando o homem se aproximou, o consulente pediu que parasse e lhe deu um tapa.
O homem ficou assustado, olhou para o consulente, mediu-o de cima a baixo e, sem dizer nada, revidou com um tapa, um pouco mais forte.

Instantaneamente, já estavam em outro lugar muito semelhante ao primeiro.

- Agora, você já sabe como reage um homem do nível 2.
Pensa um pouco, analisa superficialmente a situação, verifica se está à altura do adversário e aí, então, revida.
Se se julgar mais fraco, não revidará imediatamente, pois irá revidar à traição. Ainda é carregado pelo mesmo tipo de 'muleta' usada pelo homem do nível 1.
Só que analisa um pouco mais as coisas e fatos da vida. Entendeu?

Repita o mesmo com esse aí que vem chegando, o nível 3.

A cena repetiu-se. Ao receber o tapa, o homem parou, olhou para o consulente e assim falou:

- O que é isso, moço?... Mereço uma explicação, não acha? Se não me explicar direitinho por que razão me bateu, vai levar uma surra! Estou falando sério!

- Eu e o Mestre estamos realizando uma série de experimentos e este experimento consta exatamente em fazer o que fiz, ou seja, bater nas pessoas para ver como reagem.

- E querem ver como reajo?

- Sim. Exatamente isso...

- Já reparou que não tem sentido?

- Como não? Já aprendemos ótimas lições com as reações das outras pessoas. Queremos saber qual a lição que você irá nos ensinar...

- Ainda não perceberam que isso não faz sentido? Por que agredir as pessoas assim, gratuitamente?

- Queremos verificar - interferiu o Mestre - as reações mais imediatas e primitivas das pessoas. Você tem alguma sugestão ou consegue atinar com alguma alternativa?

- De momento, não me ocorre nenhuma. De uma coisa, porém, estou certo: - Esse teste é muito bárbaro, pois agride os outros. Estou, realmente, muito assustado e chocado com essa ação de vocês, que parecem pessoas inteligentes e sensatas. Certamente, deverá haver algo menos agressivo e mais inteligente. Não acham?

- Enfim - perguntou o buscador - como você vai reagir? Vai revidar? Ou vai nos ensinar uma outra maneira de conseguir aprender o que desejamos?

- Já nem sei se continuo discutindo com vocês, pois acho que estou perdendo meu tempo. São dois malucos e tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar conversando com dois malucos. Afinal, meu tempo é precioso demais e não vou desperdiçá-lo com vocês. Quando encontrarem alguém que não seja tão sensato e paciente como eu, vão aprender o que é agredir gratuitamente as pessoas. Que outro, em algum outro lugar, revide por mim. Não vou nem perder meu tempo com vocês, pois não merecem meu esforço... São uns perfeitos idiotas... Imagine só, dar tapas nos outros... Besteira... Idiotice... Falta do que fazer..

Parte inferior do formulário

E ainda querem me convencer de que estão buscando conhecimento. .. Picaretas! Isso é o que vocês são! Uns picaretas! Uns charlatões!

Imediatamente, aquela cena apagou-se e já se encontravam em outro luar, muito semelhante a todos os outros. Então, o Mestre comentou:

- Agora, você já sabe como age o homem do nível 3. Gosta de analisar a situação, discutir os pormenores, criticar tudo, mas não apresenta nenhuma solução ou alternativa, pois ainda usa as mesmas 'muletas' que os outros dois anteriores também usavam.

Prefere deixar tudo 'pra lá', pois 'não tem tempo' para se aborrecer com a ação, que prefere deixar para os 'outros'.

É um erudito e teórico que fala muito, mas que age muito pouco e não apresenta nenhuma solução para nenhum problema, a não ser a mais óbvia e assim mesmo, olhe lá...

É um medíocre enfatuado, cheio de erudição, que se julga o 'Dono da Verdade', que se acha muito 'entendido' e que reclama de tudo e só sabe criticar. É o mais perigoso de todos, pois costuma deter cargos de comando, por ser, geralmente, portador de algum diploma universitário em nível de bacharel (mais uma outra 'muleta') e se pavoneia por isso. Possui instrução e muita erudição.

Já consegue ter um pouquinho mais de percepção das coisas, mas é somente isso. Ainda precisa das 'muletas' para continuar vivendo, mas começa a perceber que talvez seja melhor andar sem elas. No entanto, por 'preguiça vital' e simples falta de força de vontade, prefere continuar a utilizá-las.

De resto, não passa de um medíocre enfatuado que sabe apenas argumentar e tudo criticar. Vamos, agora, saber como reage um homem do nível 4.

Faça o mesmo com esse que aí vem.

E a cena repetiu-se. O caminhante olhou para o buscador e perguntou:

- Por que você fez isso? Eu fiz alguma coisa errada? Ofendi você de alguma maneira? Enfim, gostaria de saber por que motivo você me bateu. Posso saber?

- Não é nada pessoal. Eu e o Mestre estamos realizando um experimento para aprender qual será a reação das pessoas diante de uma agressão imotivada.

- Pelo visto, já realizaram este experimento com outras pessoas. Já devem ter aprendido muito a respeito de como reagem os seres humanos, não é mesmo?

- É... Estamos aprendendo um bocado. Qual será sua reação? O que pensa de nosso experimento? Tem alguma sugestão melhor?

- Hoje, vocês me ensinaram uma nova lição e estou muito satisfeito com isso e só tenho a agradecer por me haverem escolhido para participar deste seu experimento.

Apenas acho que vocês estão correndo o risco de encontrar alguém que não consiga entender o que estão fazendo e revidar à agressão. Até chego a arriscar-me a afirmar que vocês já encontraram esse tipo de pessoa, não é mesmo?

Mas também se não corrermos algum risco na vida, nada, jamais, poderá ser conseguido, em termos de evolução. Sob esse ponto de vista, a metodologia experimental que vocês imaginaram é tão boa como outra qualquer.

Já encontraram alguém que não entendesse o que estão a fazer e igualmente reações hostis, não é mesmo? Por outro lado, como se trata de um aprendizado, gostaria muito de acompanhá-los para partilhar desse aprendizado. Aceitar-me-iam como companheiro de jornada? Gostaria muito de adquirir novos conhecimentos. Posso ir com vocês?

- E se tudo o que dissemos for mentira? E se estivermos mal-intencionados? - perguntou o Mestre - Como reagiria a isso?

- Somente os loucos fazem coisas sem uma razão plausível. Sei, muito bem, distinguir um louco de um são e, definitivamente, tenho a mais cristalina das certezas de que vocês não são loucos.

Logo, alguma razão vocês deverão ter para estarem agredindo gratuitamente as pessoas.

Essa razão que me deram é tão boa e plausível como qualquer outra.

Seja ela qual for, gostaria de seguir com vocês para ver se minhas conjecturas estão certas, ou seja, de que falaram a verdade e, se assim o for, compartilhar da experiência de vocês.

Enfim, desejo aprender cada vez mais, e esta é uma boa ocasião para isso. Não acham?

Instantaneamente, tudo se desfez e logo estavam em outro ambiente, muito semelhante aos anteriores.

O Mestre assim comentou:

- O homem do nível 4 já está bem distanciado e se desligando gradativamente dos afazeres mundanos. Já sabe que existem outros níveis mais baixos e outros mais elevados e está buscando apenas aprender mais e mais para evoluir, para tornar-se um sábio.

Não é, em absoluto um erudito (embora até mesmo possa possuir algum diploma universitário) e já compreende bem a natureza humana para fazer julgamentos sensatos e lógicos.

Por outro lado, possui uma curiosidade muito grande e uma insaciável sede de conhecimentos. E isso acontece porque abandonou suas 'muletas' há muito pouco tempo, talvez há um mês ou dois.

Ainda sente falta delas, mas já compreendeu que o melhor mesmo é viver sem elas.

Dentro de muito pouco tempo, só mais um pouco de tempo, talvez mais um ano ou dois, assim que se acostumar, de fato, a sequer pensar nas muletas, estará realmente começando a trilhar o caminho certo para os próximos níveis.

Mas vamos continuar com o nosso aprendizado. Repita o mesmo com este homem que aí vem, e vamos ver como reage um homem do nível 5.

O tapa estalou.

- Filho meu... Eu bem o mereci por não haver logo percebido que estavas necessitando de ajuda. Em que te posso ser útil?

- Não entendi... Afinal, dei-lhe um tapa. Não vai reagir?

- Na verdade, cada agressão é um pedido de ajuda. Em que te posso ajudar, filho meu?

- Estamos dando tapas nas pessoas que passam, para conhecermos suas reações. Não é nada pessoal...

- Então, é nisso que te posso ajudar? Ajudar-te-ei com muita satisfação pedindo-te perdão por não haver logo percebido que desejas aprender. É meritória tua ação, pois o saber é a coisa mais importante que um ser humano pode adquirir. Somente por meio do saber é que o homem se eleva. E se estás querendo aprender, só tenho elogios a te oferecer.

Logo aprenderás a lição mais importante que é a de ajudar desinteressadamente as pessoas, assim como estou a fazer com vocês, neste momento. Ainda terás um longo caminho pela frente, mas se desejares, posso ser o teu guia nos passos iniciais e te poupar de muitos transtornos e dissabores.

Sinto-me perfeitamente capaz de guiar-te nos primeiros passos e fazer-te chegar até onde me encontro. Daí para diante, faremos o restante do aprendizado juntos.
O que achas da proposta? Aceitas-me como teu guia?

Instantaneamente, a cena se desfez e logo se viram em outro caminho, um pouco mais agradável do que os demais, e o Mestre assim se expressou:

- Quando um homem atinge o nível 5, começa a entender que a Humanidade, em geral, digamos, o homem comum, é como uma espécie de adolescente que ainda não conseguiu sequer se encontrar e, por esse motivo, como todo e qualquer bom adolescente, é muito inseguro e, devido a essa insegurança, não sabe como pedir ajuda e agride a todos para chamar atenção sobre si mesmo e pedir, então, de maneira velada e indireta, a ajuda de que necessita.

O homem do nível 5 possui a sincera vontade de ajudar e de auxiliar a todos desinteressadamente , sem visar vantagens pessoais.

É como se fosse uma Irmã Dulce ou uma Madre Teresa de Calcutá, da vida.

Sabe ser humilde e reconhece que ainda tem muito a aprender para atingir níveis evolutivos mais elevados. E deseja partilhar gratuitamente seus conhecimentos com todos os seres humanos.

Compreende que a imensa maioria dos seres humanos usa 'muletas' diversas e procura ajudá-los, dando-lhes exatamente aquilo que lhe é pedido, de acordo com a 'muleta' que estão usando ou com o que lhes é mais acessível no nível em que se encontram.

A partir do nível 5, o ser humano adquire a faculdade de perceber em qual nível o seu interlocutor se encontra. Agora, dê um tapa nesse homem que aí vem.

E o buscador iniciou o ritual. Pediu ao homem que parasse e lançou a mão ao seu rosto. Jamais entenderá como o outro, com um movimento quase instantâneo, desviou-se e a sua mão atingiu apenas o vazio.

- Meu filho querido! Por que você queria ferir-se a si mesmo?

Ainda não aprendeu que agredindo os outros você estará agredindo a si mesmo? Você ainda não conseguiu entender que a Humanidade é um organismo único e que cada um de nós é apenas uma pequena célula desse imenso organismo?

Seria você capaz de provocar, deliberadamente, em seu corpo, um ferimento que vai doer muito e cuja cicatrização orgânica e psíquica vai demorar e causará muito sofrimento inútil?

- Mas estamos realizando um experimento para descobrir qual será a reação das pessoas a uma agressão gratuita.

- Por que você não aprende primeiro a amar?

Por que, em vez de dar um tapa, não dá um beijo nas pessoas? Assim, em lugar de causar-lhes sofrimento, estará demonstrando Amor. E o Amor é a Energia mais poderosa e sublime do Universo.

Se você aprender a lição do Amor, logo poderá ensinar Amor para todas as outras células da Humanidade, e tenho a mais concreta certeza de que, em muito pouco tempo, toda a Humanidade será um imenso organismo amoroso que distribuirá Amor por todo o planeta e daí, por extensão, emitirá vibrações de Amor para todo o Universo.

Eu amo a todos como amo a mim mesmo.

No instante em que você compreender isso, passará a amar a si mesmo e a todos os demais seres humanos da mesma maneira e terá aprendido a Regra de Ouro do Universo: - Tudo é Amor! A vida é Amor! Nós somos centelhas de Amor! E por tanto amar você, jamais poderia permitir que você se ferisse, agredindo a mim.

Instantaneamente, tudo se desfez e se viram em outro ambiente, ainda mais lindo e repousante do que este último em que estiveram. Então o Mestre falou:

- Este é um dos níveis mais elevados a que pode chegar o Ser Humano em sua senda evolutiva, ainda na Matéria, no Planeta Terra.

Um homem que conseguiu entender o que é o Amor, já é um Homem Sublime, Inefável e quase Inatingível pelas infelicidades humanas, pois já descobriu o Começo da Verdade, mas ainda não a conhece em toda sua Plenitude, o que só acontecerá quando atingir o nível 7.

Logo você descobrirá isso.

Dê um tapa nesse homem que aí vem chegando.

Vamos ver como reage o homem do nível 6.

E o buscador pediu ao homem que parasse. Quando seus olhares se cruzaram, uma espécie de choque elétrico percorreu-lhe todo o corpo e uma sensação mesclada de amor, compaixão, amizade desinteressada, compreensão, de profundo conhecimento de tudo que se relaciona à vida e um enorme sentimento de extrema segurança encheram-lhe todo o seu ser.

- Bata nele! - ordenou o Mestre.

- Não posso, Mestre, não posso...

- Bata nele! Faça um grande esforço, mas terá que bater nele! Nosso aprendizado só estará completo se você bater nele! Faça um grande esforço e bata! Vamos! Agora!

- Não, Mestre. Sua simples presença já é suficiente para que eu consiga compreender a futilidade de lhe dar um tapa. Prefiro dar um tapa em mim mesmo. Nele, porém, jamais!

- Bate-me - disse o Homem com muita firmeza e suavidade - pois só assim aprenderás tua lição e saberás finalmente, porque ainda existem guerras na Humanidade.

- Não posso... Não posso... Não tem o menor sentido fazer isso...

- Então - tornou o Homem - já aprendeste tua lição. Quem, dentre todos em quem bateste, a ensinou para ti? Reflete um pouco e me responde.

- Acho que foram os três primeiros, do nível 1 ao nível 3. Os outros apenas a ilustraram e a complementaram.

Agora, compreendo o quão atrasados eles estão e o quanto ainda terão que caminhar na senda evolutiva para entender esse fato.

Sinto por eles uma compaixão muito profunda. Estão de 'muletas' e não sabem disso. E o pior de tudo é que não conseguem perceber que é até muito simples e muito fácil abandoná-las e que, no preciso instante em que as abandonarem, começarão a progredir.

Era essa a lição que eu deveria aprender?

- Sim, filho meu. Essa é apenas uma das muitas facetas do Verdadeiro Aprendizado. Ainda terás muito que aprender, mas já aprendeste a primeira e a maior de todas as lições.

Existe a Ignorância! - volveu o Homem com suavidade e convicção - Mas ainda existem outras coisas mais que deves ter aprendido. O que foi?

- Aprendi, também, que é meu dever ensiná-los para que entendam que a vida está muito além daquilo que eles julgam ser muito importante - as suas 'muletas' - e também sua busca inútil e desenfreada por sexo, status social, riquezas e poder.

Nos outros níveis, comecei a entender que para se ensinar alguma coisa para alguém é preciso que tenhamos aprendido aquilo que vamos ensinar. Mas isso é um processo demorado demais, pois todo mundo quer tudo às pressas, imediatamente. ..

- A Humanidade ainda é uma criança , mal acabou de nascer, mal acabou de aprender que pode caminhar por conta própria, sem engatinhar, sem precisar usar 'muletas'.

O grande erro é que nós queremos fazer tudo às pressas e medir tudo pela duração de nossas vidas individuais.

O importante é que compreendamos que o tempo deve ser contado em termos cósmicos, universais.

Se assim o fizermos, começaremos, então, a entender que o Universo é um organismo imenso, ainda relativamente novo e que também está fazendo seu aprendizado por intermédio de nós seres vivos conscientes e inteligentes que habitamos planetas disseminados por todo o Espaço Cósmico.

Nossa vida individual só terá importância, mesmo, se conseguirmos entender e vivenciar, este conhecimento, esta grande Verdade: - Somos todos uma imensa equipe energética atuando nos mais diversos níveis energéticos daquilo que é conhecido como Vida e Universo, que, no final das contas, é tudo a mesma coisa.

- Mas sendo assim, para eu aprender tudo de que necessito para poder ensinar aos meus irmãos, precisarei de muito mais que uma vida. Ser-me-ão concedidas mais outras vidas, além desta que agora estou vivendo?

- Mas ainda não conseguiste vislumbrar que só existe uma única Vida e tu já a estás vivendo há milhões e milhões de anos e ainda a viverás por mais outros tantos milhões, nos mais diversos níveis? Tu já foste energia pura, átomo, molécula, vírus, bactéria, enfim, todos os seres que já apareceram na escala biológica. E tu ainda és tudo isso.

Compreende, filho meu, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

- Mas mesmo assim, então, não terei tempo, neste momento atual de minha manifestação no Universo, de aprender tudo o que é necessário ensinar aos meus irmãos que ainda se encontram nos níveis 1, 2 e 3.

- E quem o terá jamais, algum dia?

Mas isso não tem a menor importância, pois tu já estás a ensinar o que aprendeste, nesta breve jornada mental. Já aprendeste que existem 7 níveis evolutivos possíveis aos seres humanos, aqui, agora, neste Planeta Terra.

O Autor deste conto conseguiu transmiti-lo, há alguns milênios, através da Tradição Oral, durante muitas e muitas gerações.

O Autor deste trabalho, ao ler esse conto, há muitos anos atrás, também aprendeu a mesma lição e agora a está transmitindo para todos aqueles que vierem a lê-lo e, no final, alguns desses leitores, um dia, ensinarão essa mesma lição a outros irmãos humanos.

Compreendes, agora, que não será necessário mais do que uma única vida como um ser humano, neste Planeta Terra, para que aprendas tudo e que possas transmitir esse conhecimento a todos os seres humanos, nos próximos milênios vindouros?

É só uma questão de tempo, não concordas, filho meu?

Agora, se quem deste aprendizado tomar conhecimento e, assim mesmo, não desejar progredir, não quiser deixar de lado as 'muletas' que está usando ou não quiser aceitar essa verdade tão cristalina, o problema e a responsabilidade já não serão mais teus.

Tu e todos os demais que estão transmitindo esse conhecimento já cumpriram as suas partes.

Que os outros, os que dele estão tomando conhecimento, cumpram as suas. Para isso são livres e possuem o discernimento e o livre-arbítrio suficientes para fazer suas escolhas e nada tens com isso.

Entendeste, filho meu?