segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

MEDITAÇÃO




Meditação é aventura, a maior aventura que a mente humana pode empreender. Meditação é simplesmente ser, sem fazer nada - nenhuma ação, nenhum pensamento, nenhuma emoção. Você apenas é, e é puro prazer. De onde vem esse profundo prazer, quando você não está fazendo nada? Não vem de lugar nenhum, ou vem de toda parte. Ele é não-motivado, porque a existência é feita de uma matéria chamada alegria.

Quando você não está fazendo absolutamente nada - corporalmente, mentalmente, em nenhum nível - quando toda a atividade cessou e você simplesmente é, apenas sendo, isso é meditação. Você não pode fazê-la, você não pode praticá-la: você tem apenas que compreendê-la.

Sempre que você encontrar tempo para apenas ser, abandone todo o fazer. Pensar também é um fazer, concentração também é um fazer, contemplação também é um fazer. Mesmo que apenas por um único momento você fique sem fazer nada, simplesmente permanecendo no seu centro, totalmente relaxado - isso é meditação. E uma vez que você tenha descoberto o jeito, você pode permanecer nesse estado tanto tempo quanto quiser; finalmente você poderá permanecer nesse estado durante as vinte e quatro horas do dia.

Uma vez que você se tomou consciente de como seu ser pode permanecer imperturbado, então, vagarosamente, você pode começar a fazer coisas, mantendo-se alerta para que seu ser não se agite. Essa é a segunda parte da meditação - primeiro, aprender simplesmente a ser, e então aprender pequenas ações: limpar o chão, tomar um banho, mas permanecendo centrado. Então você poderá fazer coisas mais complicadas.

Por exemplo, eu estou falando com você, mas a minha meditação não é perturbada. Eu posso continuar falando, mas lá no meu centro não há nem sequer uma pequena ondulação; ele está absolutamente silencioso, completamente silencioso.

Assim, a meditação não é contra a ação. Não é que você tenha que escapar da vida. Ela simplesmente lhe ensina uma nova maneira de vida: você se toma o centro do ciclone.

A sua vida continua, continua de uma maneira muito mais intensa - com mais alegria, com mais claridade, mais visão, mais criatividade - todavia você está distanciado, apenas um observador nas colinas, simplesmente assistindo o que está acontecendo ao seu redor.

Você não é o que faz, você é o observador.

Esse é todo o segredo da meditação, você se toma o observador. O fazer continua em seu próprio nível, não há nenhum problema: cortar madeira, tirar água do poço. Você pode fazer coisas pequenas e coisas grandes; só uma coisa não é permitida, e isso significa: seu centramento não pode se perder.

Essa consciência, esse estado de observação deve permanecer absolutamente desanuviado, imperturbado.

No judaísmo há uma escola de mistério rebelde chamada hassidismo. Seu fundador, Baal Shen, foi um ser raro. No meio da noite ele estava voltando do rio - essa era sua rotina, porque no rio, à noite, tudo era absolutamente calmo e tranqüilo. E ele costumava simplesmente sentar-se lá, fazendo nada - apenas observando seu próprio eu, observando o observador. Nessa noite, quando estava voltando, ele passou pela casa de um homem rico e o vigia estava lá em pé perto da porta.

E o vigia estava intrigado, porque toda noite, exatamente àquela hora, esse homem estava voltando. Ele saiu e disse: "Desculpe-me interrompê-lo, mas não consigo mais conter a minha curiosidade. Você me persegue dia e noite, todos os dias. Qual é a sua ocupação? Por que você vai ao rio? Muitas vezes eu o segui e não há nada - você simplesmente senta-se lá, por horas, e no meio da noite você volta."

Baal Shem disse: "Eu sei que você me seguiu muitas vezes, porque a noite é tão silenciosa, que eu posso ouvir seus passos. E eu sei que todo dia você está escondido atrás do portão. Mas não é apenas você que está curioso a meu respeito; eu também estou curioso a respeito de você. Qual, é a sua ocupação?"

Ele disse. "Minha ocupação? Eu sou um simples vigia."

Baal Shem disse: "Meu Deus, você me deu a palavra-chave. Esta é a minha ocupação também!"

O vigia disse: "Mas eu não compreendo. Se você é um vigia, você deveria estar vigiando alguma casa, algum palácio. O que você está vigiando lá, sentado na areia?

Baal Shem disse: "Há uma pequena diferença - você está alerta em relação a alguém do lado de fora que poderia entrar no palácio; eu simplesmente observo este observador. Quem é este observador? Este é o espaço de toda a minha vida; eu observo a mim mesmo."

O vigia disse: "Mas essa é uma ocupação estranha. Quem é que vai lhe pagar?"

Ele disse: "É uma bênção tão grande, uma tal alegria, uma bem-aventurança tão imensa, que isso se paga a si mesmo em profundidade. Apenas um único momento, e todos os tesouros não são nada em comparação a ele"

O vigia disse: Isso é estranho. Eu tenho estado observando durante toda a minha vida. Eu nunca me deparei com uma experiência tão bonita. Amanhã à noite eu irei com você. Você apenas me ensina. Porque eu sei como observar - parece que apenas é necessário uma direção diferente: você está observando numa direção diferente."

Há apenas um passo, e este passo é de direção, de dimensão. Ou podemos estar focados no exterior, ou podemos fechar os olhos para o exterior e deixar toda a nossa consciência ficar centrada para dentro.- e você saberá, porque você é um conhecedor, você é consciência. Você nunca a perdeu. Você simplesmente deixou sua consciência se emaranhar em mil e uma coisas. Retire sua consciência de todos os lugares e apenas deixe-a descansar dentro de você, e você chegou em casa.

O âmago essencial, o espírito da meditação, é aprender como testemunhar.

Uma gralha cantando... você está ouvindo. São dois elementos: objeto e sujeito. Mas você não pode ver uma testemunha que está vendo ambos? - A gralha, o ouvinte, e ainda há alguém que está observando ambos. É um fenômeno tão simples!

Você está vendo uma árvore: você está aí, a árvore está aí, mas será que você não pode encontrar alguma coisa mais? - que você está vendo a árvore e que há uma testemunha em você que está vendo você vendo a árvore.

Observação é meditação. O que você observa é irrelevante. Você pode observar as árvores, pode observar o rio, pode observar as nuvens, pode observar as crianças brincando. Observação é meditação. O que você observa não é a questão; o objeto não é a questão.

A qualidade da observação, a qualidade de estar consciente, alerta - é isso o que é meditação.

Lembre-se de uma coisa: meditação significa consciência. O que quer que você faça com consciência é meditação. A ação não é a questão, mas a qualidade que você traz para a ação. O caminhar pode ser uma meditação, se você caminha alerta. Sentar-se pode ser uma meditação, se você senta-se alerta. Ouvir os pássaros pode ser uma meditação, se você ouve com consciência. Simplesmente ouvir o barulho interior da sua mente pode ser uma meditação, se você permanece alerta e observador.

A questão toda se resume em não mover-se adormecido. Então o que quer que você faça é meditação.

O primeiro passo para a consciência é tomar-se muito atento ao seu corpo. Pouco a pouco, a pessoa vai se tomando alerta para cada gesto, cada movimento. E, à medida que você vai se tomando consciente, um milagre começa a acontecer: muitas coisas que você costumava fazer antes, simplesmente desaparecem; seu corpo se torna mais relaxado, seu corpo se torna mais harmonizado. Uma paz profunda começa a prevalecer até mesmo no seu corpo, uma música sutil pulsa em seu corpo.

Então, comece a se tomar consciente de seus pensamentos; o mesmo tem que ser feito com os pensamentos. Eles são mais sutis do que o corpo e, naturalmente, mais perigosos também. E quando você se toma consciente de seus pensamentos, você fica surpreso com o que se passa dentro de você. Se você anotar o que quer que passe em sua mente em qualquer momento, você nem pode imaginar que grande surpresa o espera.

Você não acreditará que tudo isso está se passando dentro de você.

E depois de dez minutos leia - você verá a mente louca que existe dentro de você! Porque você não está alerta, toda esta loucura continua movendo-se como uma corrente subterrânea. Ela afeta o que quer que você esteja fazendo, afeta o que quer que você não esteja fazendo; afeta tudo. E a soma total vai ser a sua vida!. Assim sendo, esse homem louco tem que ser transformado. E o milagre da consciência é que você não precisa fazer nada exceto apenas tomar-se alerta.

O próprio fenômeno de observar a mente, a transforma. Pouco a pouco o homem louco desaparece, pouco a pouco os pensamentos começam a cair em um certo padrão; seu caos não existe mais, eles se tomam mais como um cosmo. E então, novamente, prevalece uma profunda paz. E quando seu corpo e sua mente estiverem em paz, você verá que eles estão sintonizados um com o outro, há uma ponte. Agora eles não se movem em direções diferentes, eles não estão galopando em cavalos diferentes. Pela primeira vez há acordo, e esse acordo ajuda tremendamente a trabalhar o terceiro passo que é tomar-se consciente dos seus sentimentos, emoções, humores.

Esta é a camada mais sutil e a mais difícil, mas se você pode estar consciente dos pensamentos, então basta apenas mais um passo. Uma consciência um pouco mais intensa é necessária e você começa a refletir seus humores, suas emoções, seus sentimentos. Uma vez que você ganhou consciência em todos esses três passos, eles se juntam todos em um fenômeno. E quando todos esses três são um - funcionando juntos perfeitamente, zunindo juntos, você pode sentir a música de todos os três; eles se tomam uma orquestra - então o quarto, aquilo que você não pode fazer, acontece. Acontece por sua própria conta. E um presente do todo, é uma recompensa para aqueles que passaram por estes três.

OSHO

domingo, 24 de janeiro de 2010

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

...SALTO NO ABISMO ...


Já me dei ao poder que rege meu destino
E não me prendo a nada, para não ter nada a defender.
Não tenho pensamentos, por isso verei.
Não receio nada, por isso me lembrarei de mim mesmo.
Desprendido e a vontade, passarei como um jato pela águia para me tornar livre.

Carlos Castaneda - O Presente da Águia.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

UKEMI


UKEMI

Texto traduzido do livro The Principles of Aikido, de Mitsugi Saotome

Para se praticar Aikido, a presença de um parceiro é essencial. Uns poucos exercícios podem ser feitos isoladamente para melhorar sua força e suas habilidades técnicas, mas o caminho para o bom treino reside na interação entre uke e nage. Algumas pessoas erroneamente simplificam as definições de uke e nage como "aquele que ataca" e "aquele que defende". Tais simplificações não demostram a verdadeira natureza da importância dos papéis de nage e uke. De um modo mais correto, nage significa "aquele que projeta" e uke, "aquele que recebe a força". Se você pensar em termos de quem ataca e de quem se defende, provavelmente você dará mais importância ao papel do nage, que é atacado e executa a técnica, e colocará o papel do uke como sendo apenas o de fornecer um corpo para o nage executá-la. Nada poderia ser mais longe da verdade.
Ukemi é a arte de ser uke, e a qualidade do treino de nage depende em como uke aprendeu sua arte. Ukemi é responsável pela criação de condições que levam uma dada técnica a ser praticada, permitindo a uke responder corretamente aos movimentos de nage, executando qualquer queda que seja necessária para finalizar tal técnica. Resumindo, uke é responsável pela criação de condições que permitam nage aprender. Se uke não sabe os efeitos de determinada técnica, ou não tem nenhuma flexibilidade, ou não responde aos movimentos de nage, ou ainda, é temeroso ou pouco acostumado a cair, então nage não terá condições de estudar as técnicas eficazmente.
Ao praticar qualquer movimento, os parceiros devem alternar os papéis de nage e uke. Quando estiver no papel de uke, não julgue esta hora como sendo apenas um intervalo entre os momentos de ser nage, mas como uma oportunidade de igual ou maior importância de aprender do que aquela de quando se está na outra posição. De fato, aqueles que se esmeram na prática de ukemi também o farão, eventualmente, na prática das técnicas, pois eles serão capazes de absorver conhecimentos através de seus corpos, de sentir como age uma técnica corretamente executada, assim como absorvem conhecimentos pelas suas mentes. Desenvolver bom ukemi é a maneira mais rápida de adquirir habilidade no Aikido.
Muitos elementos compõe o bom ukemi. O primeiro é musubi. Boa comunicação com o nage é indispensável, tanto física quanto intuitiva. Se o uke é insensível aos movimentos ou intenções do parceiro, vai obstruir a prática deste último e correr riscos de se machucar. Um bom uke não antecipa os movimentos do parceiro mas se aperfeiçoa na percepção até o ponto em que as reações são instintivas e intuitivas, em lugar de depender exclusivamente da manipulação física.
Aprender ukemi é aprender a proteger o seu corpo de lesões; precisa-se estar sempre alerta e flexível. Deve-se ser capaz de executar a queda de qualquer ângulo, a qualquer momento, mesmo inesperadamente. Tais habilidades conduzem ao aprendizado de técnicas mais avançadas. Também se deve treinar ukemi enquanto se segura jo e bokuto. O treinamento com armas no Aikido inclui algumas técnicas de desarme. Muitas delas envolvem projeções e o uke precisa estar preparado para isso. Aprender a se proteger através do ukemi é também responsabilidade de todos. Enquanto o nage deve ter consciência das limitações do uke e evitar excessos desnecessários, ele tem o direito de esperar do uke um nível de habilidade em seu ukemi compatível com o nível de graduação. Se a sua capacidade em executar ukemi é inferior a sua habilidade com as técnicas a medida que evolui, então o avanço técnico do seu parceiro será prejudicado. Por vezes, coloca-se muita responsabilidade com relação à segurança pessoal nas mãos do parceiro, especialmente quando se começa a treinar técnicas mais avançadas, mas o próprio treino vai ser prejudicado, pois nunca será capaz de executar as técnicas mais difíceis com toda intensidade.
Executar ukemi não significa que se faz papel de derrotado. É, na verdade, um estudo de comunicação, percepção e auto-proteção. Refletindo mais profundamente, é um meio de adquirir controle sobre si mesmo e sobre as circunstâncias. Esse aspecto do ukemi se torna mais aparente no treinamento mais avançado, quando as técnicas vão além de se ter apenas um uke atacando, ocorrendo múltiplos ataques de várias direções e várias inversões de movimentos. A sensibilidade e a atenção concentrada no nage, que permitem alguém ser um bom uke, também dão a habilidade de ver as falhas na técnica do nage e reconhecer os pontos onde este está vulnerável. Se você é um bom uke você pode tirar proveito disso e fazer uma rápida recuperação ou reverter o movimento. Se ukemi não é bem treinado, então não se terá equilíbrio suficiente para fazer nenhum dos dois.
Aprender ukemi, é claro, leva tempo e muito treino. Ao principiante será mostrado o conceito de ukemi lentamente. Depois de conhecer os movimentos de irimi e tenkan, começará a praticar as quedas e rolamentos. Isso deve ocorrer antes de começar a treinar as técnicas básicas. Quando começar a praticá-las, isso será feito através do kata. Kata dá ao estudante um modelo para treinar e explorar os efeitos dos diferentes movimentos, aperfeiçoando sua execução. Deve-se chegar ao domínio completo do movimento antes de se tentar um uso mais criativo dos movimentos de Aikido, além de ser cada vez mais elástico na execução do ukemi. O jiuwaza, quando se é esperado que as reações sejam espontâneas aos diferentes movimentos e projeções, deve ser reservado aos praticantes mais experientes. À medida que o treino evolui, sempre lembre que o caminho para obter a habilidade em executar movimentos mais espontâneos e criativos está no aperfeiçoamento do ukemi.
Durante minha época como uchi deshi, eu fui muito advertido por não fazer um bom ukemi. Os ensinamentos de O Sensei a respeito desse assunto, assim como eu os lembro, podem ser resumidos assim:
1. Não tente antecipar o que está por vir. Uma mente tendenciosa vai obscurecer as resposta intuitivas do corpo e irá refreá-lo. Isso forçará você a fazer um ukemi pouco espontâneo, o que, por sua vez, irá refletir quando treinar as técnicas, atrasando o seu aperfeiçoamento.
2. Observe os movimentos do seu parceiro e tente sentir sua intenção. Isso é parte do treino de ukemi.
3. Não se esqueça da relevância do treino de ukemi para a vida diária. Todas as pessoas proeminentes que alcançaram alguma coisa de valor na vida, absorveram os princípios do ukemi. A jornada da vida é marcada por muitas dificuldades. Sucesso é alcançado por aqueles que venceram suas dificuldades com flexibilidade e a mente aberta de ukemi. Aqueles que executam o ukemi de uma maneira pouco natural durante o treino, não verá resultados positivos da prática na sua vida diária.
4. É sábio evitar acidentes e lutar pela sua bem-aventurança, tanto no dojo quanto fora dele.
5. Uma mente aberta e flexível, assim como o corpo, modéstia, sinceridade - esses são os elementos necessários para a arte do ukemi. Sem eles, o treino de ukemi não progredirá. Sem ukemi, o treino das técnicas nunca irá fluir.
Observe as palavras de O Sensei com relação à importância do ukemi na vida diária. Ukemi desenvolve a habilidade de sentir o que está por vir, de analisar as circunstâncias e de responder às mesmas rapidamente. Assim como aqueles que antecipam o ukemi durante o treino e falham ao tentar adivinhar a direção da técnica, são aqueles que pensam demasiadamente e falham em perceber o que está ocorrendo em torno de si próprios. Eles não conseguem ser flexíveis às dificuldades na vida porque não podem vê-las até que seja tarde demais. Treinando-se bem ukemi, ter-se-á uma visão verdadeira do fato, baseada na observação e intuição, e não em algum pensamento arbitrário e pré-concebido. Bom ukemi representa a mesma sabedoria do pescador que, através de sua experiência, sente como vai ser o tempo.
O treino de ukemi tem grande mérito físico: ele fortalece o corpo e aumenta sua flexibilidade. Além disso, quanto mais você se acostumar ao ukemi, mais prazeroso fica o treinamento. Eu me lembro da alegria de O Sensei durante os treinos, seu ânimo e seu bom humor. Para se ter prazer no treino não precisa perder a concentração; pode-se relaxar e, ainda sim, treinar seriamente. Dificilmente se pode negar os benefícios do ukemi no treinamento e na sua vida diários.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

PILARES DO AIKIDO


1 – Shiho – Universalidade

O Significado literal de “shiho” é “quatro direções”. Estas quatro direções simbolizam as quatro gratidões:

Gratidão para como Universo e a Vida:
Gratidão para com os nossos ancestrais e predecessores
Gratidão para com o próximo;
Gratidão para com as plantas e animais que se sacrificam por nós;
Significa olhar para o mundo sob todos os seus aspectos, considerar as coisas por todos os ângulos, ser capaz de se mover em todos os sentidos e lidar com ataques de todas as direções.

2 – Irimi – “Avançar e unir-se”

Quando confrontado com uma agressão no Aikido, não se recua nem se desvia a agressão mas entra-se diretamente no centro do ataque.Geralmente a melhor forma de lidar com qualquer oposição é ir diretamente à sua fonte e “harmonizar-se com ela” por forma a tornar qualquer agressão impossível.

3 – Kaiten – “Abrir e Girar”

Algumas vezes é melhor evitar um ataque abrindo-se para o lado e em seguida redirecionar o ataque em direção ao agressor. Abrir e girar significa igualmente estar aberto a todas as possibilidades.

4 – Kokyu – “poder da respiração e da boa coordenação”

A respiração é vida.Tudo no céu e na terra respira. A respiração é o fio que une as criaturas entre si. Quando as inúmeras variações da respiração universal podem ser sentidas nascem as técnicas de Aikido.Outro significado de Kokyu é “boa coordenação”. Implica o entendimento dos ritmos da vida, estar em sintonia com o ambiente e adaptar-se às circunstâncias.

5 – Osae – “controle de si mesmo e controle da situação”

As técnicas de Aikido incluem várias imobilizações e chaves usadas para controlar um ataque.A implicação por detrás de tais chaves e imobilizações é “manter o assunto sob controle” ou “controlar as coisas antes que comecem a surgir” ou seja, evitar que algo de incontrolável aconteça. O’ Sensei dizia: “Detenhas as coisas entes que elas surjam, cultive a paz e a ordem para reprimir o caos”.

6 – Ushiro Waza – “lidando com o desconhecido”

No Aikido treinamos ser atacados por trás com a finalidade de cultivarmos um sexto sentido que perceba a agressão antes que ela ocorra. No nosso dia a dia isso traduz-se na idéia de “esperar o inesperado”, especialmente vindo daquelas almas mal-intencionadas que tentam “apunhalar-nos” nas costas ou atacar-nos quando não estamos atentos.

7 – Tenchi – “Permanecer firmemente entre o céu e a terra”

O’ Sensei dizia:“Tente sempre manter-se em comunhão com o céu e com a terra, assim o Universo surgirá na sua luz verdadeira. Se conseguir perceber a verdadeira forma do céu (vazio) e da terra (matéria) enquanto ser humano (céu e terra = vazio e matéria) será iluminado na sua própria forma.

8 – Ukemi – “sete vezes para baixo, oito vezes para cima”

Saber cair corretamente nas projeções bruscas do Aikido é uma das primeiras coisas que são ensinadas e que devem ser aprendidas. No Aikido aprende-se a cair bem e em segurança e a levantar-se rapidamente. As mudanças constantes da vida tentarão derrubar-nos com ataques fulminantes, mas precisamos saber voltar logo ao normal. Ukemi significa igualmente “corrigir um erro”.“ A falha é a chave para o sucesso, cada erro ensina-nos uma lição preciosa” Sete vezes para baixo e oito vezes para cima.Ukemi é também uma demonstração de humildade e uma prostração: não há orgulho em se ter sido projetado, no entanto existe a vontade de se voltar a tentar ao levantar-se novamente.

9 – Aiki Ken e Aiki Jo – “O Sabre e o bastão. As armas da resolução e da intuição”

No Aikido estão incorporados o estudo do sabre (kenjutsu) e do bastão (jojutsu). Relembrando-nos que o Aikido é um Budo e que as suas técnicas serviram os guerreiros (bushi) do Japão feudal nos campos de batalha e que por isso se devem continuar a estudar as formas que estão na gênese de uma tão eficiente arte marcial.

10 – Reigi - “Um homem educado é um homem atento”.

No Aikido estão incorporados princípios extraordinários de respeito e consideração para com os mestres e parceiros. Estamos a falar numa arte marcial que decide sobre a vida e a morte num só golpe. O respeito é o garante de um treino marcial e cuidado. Por isso no Aikido respeitam-se os princípios tradicionais da etiqueta japonesa, o que aumenta a marcialidade. Conservam-se, entre outras coisas, o andar de joelhos (shikko), a posição tradicional de sentar (seiza), o uso de hakama (calças largas pretas usadas como símbolo da classe guerreira e dominante do Japão feudal – os samurai), a meditação (mokuso) e a limpeza quer do dojo (osoji), quer de si próprio (chinkon). Sem a etiqueta tradicional o Aikido perde o seu valor como veículo para se entender a sociedade e servi-la.No Aikido não há competição. Isto quer dizer apenas que no Aikido as técnicas não foram transformadas para poderem ser usadas dentro de um ringue, ou de um tatame olímpico. As técnicas de Aikido visam subjugar um ou vários adversários armados ou desarmados e por isso são treinadas exatamente com se fossem para ser utilizadas no campo de batalha.

sábado, 3 de outubro de 2009

A PRÀTICA DO SEIZA



SEIZA é um método de sentar, o qual, em alguns lugares, é usado como psicoterapia. SEIZA é um modo de sentar sobre os joelhos que é usado extensivamente na arte marcial do IAIDO, bem como no AIKIDO. A prática de SEIZA pode envolver estas artes, ou pode ser feita simplesmente como um "exercício sentado".

"Sentar calmamente" usando a postura de SEIZA é uma maneira de superar os temores generalizados da vida e o medo subjacente da morte. É um excelente meio de regular as funções do corpo. Pode trazer a mente mais perto do mundo "como ele é", numa atitude mais apropriada que seu foco habitual em "como ele deveria ser". Em outras palavras, SEIZA é um método de passar através das ilusões da vida diária. Quando sentado, os círculos sem fim de pensamento, tão danosos à saúde mental, são rompidos e o claro frescor do simples viver no mundo é por fim liberado para aflorar.

Sente-se em SEIZA dobrando suas pernas e apoiando seu joelho esquerdo no chão. Coloque o joelho direito a uma distância de cerca de dois punhos do esquerdo. Em seguida estique os dedos do pé e posicione-os sobre o chão de modo que os dedões apenas toquem um no outro. Abaixe as nádegas de modo que elas repousem sobre ou entre os calcanhares.

Deixe a coluna ereta e a parte inferior das costas para frente de modo que se forme uma curva em S na espinha dorsal. Arredondar a parte inferior das costas ou tentar inclinar-se causará fadiga muscular. O peso do corpo deve ser centrado num ponto ente o topo dos pés e os joelhos, mais na direção dos pés.

A cabeça deve repousar solta no topo da espinha. As orelhas devem estar em linha com os ombros e o nariz em linha com o umbigo. Note que pondo o nariz nessa posição você move suas costas levemente para fora da posição vertical. No IAIDO isto é importante porque encoraja a pressão para a fronte. Empurre o queixo levemente e estique a base do pescoço. Isto resulta como se alguém o puxasse pelo cabelo para alongar sua espinha. Para encontrar essa linha central você pode balançar em círculos sobre as costas, parando suavemente até atingir uma posição de equilíbrio. Este centro é importante para prevenir cãimbras ou fadiga enquanto está sentado

APLICANDO O PRINCÌPIO DA ESPADA NO AIKIDO E NA VIDA


O Caminho do aiki e o Caminho da espada estão intimamente conectados nos seus princípios, movimentos e métodos básicos. Superficialmente, os dois parecem ser radicalmente diferentes, porque o aikidô é uma arte marcial de mãos vazias, enquanto que a arte de manejar a espada faz uso de uma arma. Mas uma vez penetrada a superfície, muitos pontos em comum serão notados. (A referência aqui é ao kenjutsu, a arte de manejar a espada combativamente, mais do que ao kendô, que é um esporte moderno. A similaridade com o aikidô se encontra não tanto no kendô, mas no seu predecessor.) Uma suposição comum é a de que o aikidô está mais intimamente relacionado ao judô que a arte de manejar a espada. Isso é compreensível porque ambas são formas de arte marcial de mãos vazias, e se uma pessoa conhecer mesmo que só um pouco a respeito da experiência do Fundador, ela ficará consciente do papel de formação desempenhado pelo jiu-jitsu no desenvolvimento do aikidô. O Fundador treinou o jiu-jitsu na escola Dai-to, incorporou alguns de seus métodos ao aikidô e algumas técnicas tais como preensão de pulso, golpes, arremessos e imobilizações foram modelados em conformidade com o jiu-jitsu clássico ou com a sua forma moderna, o judô.

Mas as similaridades são obscurecidas pelas diferenças. No aikidô, por exemplo, não há equivalentes de agarrar a manga ou colarinho do oponente como se vê no judô. Por não haver luta corpo-a-corpo direta nem competição, o aikidô não tem técnicas ofensivas. Também não tem o mesmo tipo de técnicas de chão, por meio das quais o oponente é imobilizado através de chaves ou preensão de pescoço.

Dentre as muitas similaridades entre o aikidô e a arte de manejar a espada estão algumas fundamentais: a postura em pé, a distância entre duas pessoas, a colocação dos olhos, o movimento dos pés, assim como as técnicas derivadas, que são surpreendentemente paralelas, se não idênticas. enquanto a roupa do judô é usada de forma folgada devido à luta corpo-a-corpo, tanto no aikidô quanto na arte de manejar a espada, a roupa tradicional é o hakama, a longa roupa formal dos japoneses que se assemelha a uma saia, apropriada ao movimento livre do duas pessoas que se deparam frente a frente. (Kendo também usa o hakama, mas junto com uma variedade de equipamentos protetores. No aikidô os novatos normalmente não usam hakama.) Por outro lado, uma comparação detalhada entre o aikidô e a arte da espada revelará pequenas diferenças, Um exemplo é a posição de distanciamento (ma-ai). na arte da espada, o espaço correto entre duas pessoas é estabelecido quando as extremidades das duas espadas frente a frente se sobrepõem levemente, de forma que um passo adiante significa um golpe letal contra o oponente. No aikidô, quando duas pessoas fazem frente uma à outra na posição de hanmi, as mãos, equivalentes ao gume da espada, não se tocam, e o espaço é ajustado para a eficiência máxima na execução da técnica de entrada (irimi). Além disso, ao usar a espada, independentemente de quão alta ou baixa é segurada, o princípio básico para determinar a distância é o mesmo. No aikidô ela irá variar, dependendo da técnica: seja se ambos os parceiros estão sentados, um parceiro em pé e outro sentado, ou ambos em pé; um contra muitos; ou um contra alguém armado.

A esse respeito, não podemos estabelecer uma equivalência precisa entre o aikidô e a arte de manejar a espada, mas, como citamos anteriormente, os princípios, movimentos e métodos básicos de ambos têm muito em comum. As similaridades não surgiram por acaso, já que o Fundador Ueshiba claramente pretendia, desde o início, utilizar as vantagens encontradas na arte de manejar a espada, e dedicou tempo e energia consideráveis para incorporá-las ao aikidô.

Desde muito jovem, o Fundador teve um forte interesse pela arte da espada. De fato, entes de ocupar-se completamente com o jiu-jitsu da escola Daito, dedicou-se à mestria da arte de manejar a espada. Mesmo depois de estabelecer o aikidô como uma forma independente de budô, ele adorava praticar com a espada e o bokuto (espada de madeira). Houve uma época em que uma seção de kendô foi estabelecida no Dojô Kobukan, e, entre 1936 e 1940, muitos membros dirigentes da Yushinkan, inclusive Kiyoshi Nakakura, Jun’ichi Haga, Gorozo Nakajima e outros, freqüentaram nosso dojô. Na minha juventude, o Fundador convenceu-me a aprender a arte da espada no estilo Kashima Shinto, o que mostra, também, sua profunda ligação e o alto respeito por aquela arte. Talvez, ao buscar ativamente incorporar certos princípios da arte de manejar a espada ao aikidô, ele estivesse tentando desenvolver uma base teórica para o aikidô que estava, então, ainda na sua infância.

O aikidô não usa arma e é fundamentalmente uma arte marcial de mãos vazias, mas a mão, por exemplo, não é somente uma extensão do corpo. Chamada de mão-espada (te-gatana), torna-se uma arma de golpe, transformando-se numa espada. E quando a mão é usada como uma espada, o movimento naturalmente segue aquele de um espadachim. Esse é um exemplo de um movimento do aikidô como sendo uma manifestação concreta de um princípio da arte de manejar a espada.

Um exemplo clássico dessa manifestação é o shiho-nage. O princípio dessa técnica é modelada à maneira básica de manusear a espada. Estando com o pé esquerdo ou direito como eixo, a espada é empunhada de forma a cortar em quatro, oito ou dezesseis direções. Usando as técnicas básicas do aikidô como entrada e rotação esférica, a mão-espada é usada para arremessar as pessoas em quatro, oito ou dezesseis direções.

Essa técnica tem infinitas variações, de acordo com a situação e a necessidade. Quando o ataque é um golpe vindo do lado direito ou esquerdo do oponente, a resposta é um shiho-nage para contra golpeá-lo. Se o ataque é segurar ambos os pulsos por trás, executa-se o shiho-nage dessa posição. E se um atacante prende os ombros de uma pessoa sentada, esta se defende com shiho-nage. Seja qual for a situação, shiho-nage segue essencialmente o mesmo padrão. No primeiro estágio, a estabilidade do oponente é abalada pela entrada e rotação esférica. No segundo estágio, o oponente é puxado para dentro do círculo de movimento da própria pessoa. No estágio final, a mão direita ou esquerda (algumas vezes ambas as mãos) é usada como a mão-espada - erguida acima da cabeça e rapidamente trazida para baixo para arremessar o oponente.

Cada movimento do shiho-nage é ditado pela consciência de empregar a mão como uma espada. Isso também significa que a mão do oponente é considerada como o gume da espada. Embora nenhuma das partes esteja armada, a ação é tão intensa quanto seria se lâminas de fato estivessem sendo usadas. Naturalmente, shiho-nage envolve a concentração do ki para seu poder e eficiência, e a fluência do ki, oriunda do poder de respirar, é expressa integralmente através da mão - o gume - que faz o arremesso preciso e poderoso. Se o ki não estiver fluindo, o oponente não será facilmente arremesso.

Shiho-nage é considerado o alfa e o ômega das técnicas do aikidô. Isso se deve ao fato de que shiho-nage mais claramente concretiza o princípio da arte de manejar a espada. Esse é o exemplo eminente que revela a relação íntima entre o aikidô e a arte de manejar a espada.

Embora o aikidô seja basicamente uma arte desarmada, e o treinamento consista tipicamente de duas pessoas posicionadas frente a frente com as mão abertas, as aplicações das técnicas usando espada, faca, varas ou bastão também são encontradas. Nesse caso verifica-se o reverso de usar a mão como se fosse uma espada; as armas são usados e manipuladas não como se fosse uma espada; as armas são usadas e manipuladas não como objetos, mas como extensões do corpo.

O que foi citado anteriormente devia ser suficiente para mostrar a íntima relação entre o aikidô e a arte da manejar a espada. Mas isso não é o bastante para entender porque o Fundador incorporou a arte da espada ao desenvolvimento do aikidô. Além disso, deveríamos reconhecer inteiramente a genialidade do Fundador ao formular o aikidô, baseado no jiu-jitsu clássico e nos princípios da arte de manejar a espada, que eram ostensivamente diferentes na sua natureza. Sua originalidade não reside meramente em combinar os dois, mas em fundar uma nova forma de budô que trouxe à luz o melhor em ambos.

O desejo ardente do Fundador em estabelecer o aikidô foi manter vivo no mundo moderno o mais valioso legado do budô. Afim de realizar seu objetivo, ele transcendeu as diferenças da forma externa para captar a essência de cada arte marcial e trazê-la à vida em uma nova forma. A força motivadora foi sua intensa busca espiritual para descobrir uma filosofia vivificante o afirmadora da vida do budô. O resultado foi a transformação do coração do budô no coração do aikidô, o caminho da harmonia e do amor.

Do livro O espirito do Aikido by Kishomaru Ueshiba.